Ser Lesado

Curiosidade e Informação sobre Lesão Medular

Unidos pela segurança no trânsito

Posted by on dez 9, 2017

Levantamento recente realizado pelo Movimento Paulista e Fundação SEADE aponta que os acidentes em rodovias custam quase R$ 5 bilhões para os cofres públicos do Estado. Esse volume não inclui pessoas com sequelas e que se tornaram inativas economicamente, com necessidade de permanentes cuidados médicos. Entre os pacientes da rede Lucy Montoro de Reabilitação, por exemplo, 50% das vítimas de acidente de trânsito atendidas tiveram lesão medular e se tornaram paraplégicas ou tetraplégicas. Quase 30% sofreram amputação. Foi exatamente o que aconteceu com Tatiana Maria da Silva, de 30 anos.

Mesmo tetraplégica, Claudia virou a motorista da casa com carro adaptado

Assim como o jovem Francisco, ela também viu seu destino alterado devido à imprudência de um motorista de caminhão. O acidente, em agosto do ano passado, lhe custou a amputação de perna esquerda, acima do joelho. Ela pilotava sua moto às 6 horas, a caminho do serviço, na Zona Sul de São Paulo, quando se deparou com o veículo na contramão. O motorista fugiu na rua vazia. Tatiana ficou três dias em coma induzido e, ao acordar, já estava sem a perna. “Foi difícil, mas é preciso seguir em frente e recomeçar”, afirma essa jovem mãe de dois filhos, de 13 e 7 anos. Durante todo o processo conta com o apoio incondicional do marido, que trabalha como motoboy. Tatiana parou de trabalhar, interrompeu a faculdade de Pedagogia e agora dá os primeiros passos com a prótese. “É preciso ter mais respeito pelo próximo. Não é por ser maior que você pode desrespeitar o espaço do outro. É preciso ter paciência, se mata por tão pouco no trânsito”, ressalta antes de voltar para seu quarto no Lucy Montoro, já na terceira internação.

Apoio da família e amigos tem sido fundamental para Tatiana retomar a vida

Com esses R$ 5 bilhões desperdiçados, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo diz que seria possível construir cerca de 18 hospitais com o mesmo porte do novo Hospital Regional de Sorocaba, que terá 250 leitos, serviço de diagnóstico por imagem completo,heliponto e um centro de ensino e pesquisa. Ou então, erguer em torno de 25 hospitais semelhantes ao Hospital Regional de São José dos Campos, que terá 178 leitos, serviço de diagnóstico por imagem e atendimento ambulatorial. Outra possibilidade seria custear 40 hospitais como o Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas. Mensalmente, o IOT faz cerca de 10 mil atendimentos, de diversos tipos, sendo cerca de 6 mil atendimentos no ambulatório; 2,5 mil atendimentos no PS; 520 intervenções no centro cirúrgico; 500 internações. Esse dinheiro, no entanto, escoa diariamente pelas avenidas e rodovias. Embora os dados sejam impactantes, a situação se torna ainda mais dramática com os relatos de sobreviventes de acidentes automobilísticos. Como Claudia Vidigal, que sofreu acidente em outubro de 1994, aos 28 anos. Ela cochilava no banco reclinado do passageiro enquanto voltava do Rio de Janeiro para São Paulo. Mas o motorista também dormiu em plena rodovia Presidente Dutra. “Confiei minha vida a uma pessoa que falou para eu dormir tranquila. Acordei tetraplégica no hospital”, diz. Hoje ela consegue dirigir um carro adaptado e se tornou a motorista da casa. Claudia terminou a faculdade de Direito, fez estágio em um escritório de advocacia, mas precisou interromper a carreira devido a suas limitações físicas. “Educação no trânsito deveria começar na escola, com as crianças. Há muita imprudência de todos os lados, inclusive dos pedestres”, opina.

Fonte: Isto É

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