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Tratamento promissor de infeções devido a lesão da medula espinhal

Posted by on set 26, 2017

Equipa de investigadores da Ohio State University descobriu um dos mecanismos que leva a lesão da medula espinhal a parar o sistema imunológico. Esta descoberta abre novos caminhos para o desenvolvimento de tratamentos para prevenir e reduzir a incidência de infeções sem o recurso a antibióticos. Os resultados do estudo acabam de ser publicados no jornal online Nature Neuroscience’.

Os investigadores usaram no estudo ratos de laboratório com lesões da medula espinhal e resultados de investigações anteriores em que descobriram que a lesão da medula espinhal faz com que o sistema imunológico ‘pare’ e, portanto, sem capacidade para combater infeções como a pneumonia.

Os investigadores esclarecem que a pneumonia é a principal causa de morte em pacientes que sofrem de lesão aguda e crónica da medula espinhal. A diminuição das infeções por deficiência tem um forte impacto sobre a vida das pessoas com lesão da medula espinhal.

Jan M. Schwab, investigador principal do estudo, referiu que “apesar de sua relevância clínica, os mecanismos subjacentes de como a lesão da medula espinhal causam um fecho imune sistémico não estão compreendidas”, mas o investigador acrescentou: “Após oito anos de trabalho, conseguimos identificar um mecanismo totalmente novo que leva a lesão da medula espinhal a enfraquecer o sistema imunológico”.

No estudo os investigadores demonstraram que a suscetibilidade à pneumonia espontânea e linfopenia grave após a lesão da medula espinhal resulta de um reflexo simpático-neuroendócrino inadaptado envolvendo glândulas adrenais. A linfopenia é um nível anormalmente baixo de linfócitos ou glóbulos brancos que fazem a gestão da defesa do hospedeiro microbiano.

Os pacientes paraplégicos, para além da paralisia motor-sensorial, também experimentam uma paralisia do sistema imunológico, assim, a descoberta da “paralisia do sistema imunológico” devido a lesão da medula espinhal, e dos seus mecanismos subjacentes, representa, no entender dos investigadores, um passo importante para se vir a melhorar o tratamento dos pacientes com lesão medular.

Representação estilizada da via de sinalização descoberta, ativa após a lesão da medula espinhal, que vê o sistema nervoso central lesionado usar a produção de hormônio adrenal para potencialmente perturbar o sistema imunológico de forma a causar infeções graves.
Representação estilizada da via de sinalização descoberta, ativa após a lesão da medula espinhal, que vê o sistema nervoso central lesionado usar a produção de hormônio adrenal para potencialmente perturbar o sistema imunológico de forma a causar infeções graves. Foto: The Ohio State University Wexner Medical Center

Jan M. Schwab indicou que com base nas novas descobertas, “a hipótese de que uma terapêutica normalizada de desequilíbrio de glicocorticóides e catecolaminas em pacientes com lesão medular, pode ser uma estratégia promissora de tratamento”.

“Isso pode levar a novos tratamentos, sem antibióticos, para prevenir ou reduzir infeções em pacientes que sofrem com estas lesões, reduzindo a incapacidade e a mortalidade”, referiu Jan M. Schwab, neurologista e médico do Instituto Neurológico The Ohio State, e como investigador trabalhou neste estudo em colaboração com investigadores de vários institutos da Alemanha, com a University of Alabama, em Birmingham, aHarvard Medical School e o Boston’s Children’s Hospital.

No estudo os investigadores indicam que “a interrupção das fibras nervosas nas glândulas suprarrenais por transecção torácica de nível alto, mas não de nível baixo, resultou em supressão quase completa dos níveis circulantes de norepinefrina e estimulação profunda dos níveis sistémicos de corticosterona”, e que “descobertas idênticas foram observadas em pacientes humanos com lesão traumática completa da medula espinhal.”

Esta descoberta é de grande importância “dado que as infeções são altamente prevalentes nos pacientes com lesão da medula espinhal, e os ortodoxos tratamentos antibióticos começam a perder sua eficácia com o tempo devido ao desenvolvimento de resistências.”

Fonte: www.tveuropa.pt

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