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Santa Casa realiza cirurgia inédita em jovem tetraplégica

Posted by on jun 14, 2019

Marcilene recebe os cuidados diários da família e do fisioterapeuta

Implante permite que a paciente volte a respirar sem a ajuda de aparelhos

Foto: SANTA CASA/DIVULGAÇÃO

A Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte realizou uma cirurgia inédita no Brasil permitindo mais autonomia e qualidade de vida a uma paciente tetraplégica, que necessitava ficar 24 horas por dia presa a um aparelho de ventilação mecânica para manter a respiração. 

O novo procedimento, realizado na paciente Marcilene Pinto Vieira Souza, 32, é feito a partir do implante de um eletrodo no pescoço. O equipamento é responsável por acionar eletricamente o nervo frênico, que envia estímulos motores ao diafragma, órgão que, por sua vez, auxilia a função respiratória. 

A cirurgia foi realizada pelo coordenador médico da Unidade de Cuidados Prolongados Antônio Tarcísio Faria Freire, juntamente com o neurocirurgião da Santa Casa, Marcos Dellaretti. A dupla se baseou na metodologia de um médico no Japão que obteve resultados satisfatórios ao realizar o procedimento em cinco pacientes com históricos parecidos com o de Marcilene. 

De acordo com Dellaretti, para retirar a paciente dos aparelhos respiratórios, seria necessário usar um marcapasso no diafragma para estimular a respiração, mas o procedimento, realizado em apenas dois pacientes no país, custa cerca de R$ 300 mil, o que impossibilitaria a operação. “A Marcilene é consciente e estava acamada por não ter como ficar longe das máquinas. Tínhamos a obrigação de melhorar a qualidade de vida da nossa paciente”, disse.

Mobilidade. O neurocirurgião explica que o eletrodo facilita a mobilidade da paciente e possibilita que a Marcilene tenha vida social, mas ainda é necessário que ela utilize a respiração mecânica à noite. “Isso só por questões de segurança, pois à noite, com todos na casa dormindo, se ela tiver algum problema, as demais pessoas não têm como notar”, ressaltou. 

Segundo o especialista, o eletrodo foi programado para funcionar em baixa intensidade, permitindo o uso da bateria por 30 anos. O dispositivo provoca estimulação cerebral profunda e já usado para o tratamento do mal de Parkinson. 

Como o procedimento não é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a administração da Santa Casa, médicos e cirurgiões, além de fisioterapeutas, assistentes sociais e uma rede de doadores se mobilizaram para viabilizar a intervenção.

Fonte: O Tempo

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