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Curiosidade e Informação sobre Lesão Medular

Saiba os riscos e cuidados de uma gestação em Lesionadas Medulares

Posted by on mar 12, 2017

A lesão medular na mulher geralmente não está associada a nenhuma alteração hormonal ou ginecológica que impossibilite uma gravidez. A fertilidade normalmente mantém-se intacta após a lesão. Quando desejada, a maternidade deve constituir uma opção real no processo integral de reabilitação, contribuindo para a integração social destas mulheres.

Os principais problemas médicos associados à gravidez das mulheres com lesão medular são as infeções do trato urinário, as dificuldades no manuseamento da bexiga e intestino neurogênicos, a anemia, o tromboembolismo venoso, as úlceras de pressão, a espasticidade, a hipotensão, o parto prematuro e, em alguns casos, a dificuldade respiratória e a disreflexia autonômica.

O parto apresenta especificidades decorrentes das alterações sensitivas e motoras, que são diferentes conforme o nível e tipo de lesão. Existe um risco muito considerável de disreflexia autonômica nas doentes com lesão acima de D6, que deve ser evitado com a instituição de anestesia epidural.

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O acompanhamento das lesionadas medulares grávidas deve ser realizado por equipa multidisciplinar, em hospital central, de forma a permitir o reconhecimento e tratamento especializado das intercorrências que possam surgir. Deste modo, a gravidez poderá decorrer de forma segura, culminando no nascimento de crianças saudáveis.

Os cuidados devem ser observados pelos médicos e para cada caso será específico. Mas como toda gravidez os itens abaixo, devem ser respeitados para qualquer gestante:

  • Corte o cigarro e bebidas alcoólicas;
  • Uma boa alimentação;
  • Pré- Natal – Principalmente no caso de mulheres com lesões;
  • Controle do peso;
  • Evitar comer alimentos crus;
  • Não tome remédio sem conhecimento do seu médico;
  • Reduza o consumo do café;
  • Pergunte para seu médico, sobre atividades no seu caso.

Dificuldade respiratória

A lesão medular cervical ou torácica alta poderá originar alterações na função respiratória, geralmente com diminuição da capacidade vital, pela diminuição dos volumes corrente, de reserva inspiratório e de reserva expiratório.Durante a gravidez, ocorre uma diminuição da capacidade residual funcional, pela diminuição do volume residual e do volume de reserva expiratório.

Ocorre um aumento do volume minuto inspiratório, para responder ao aumento de consumo de oxigênio associado à gestação. Estas alterações vão agravar aquelas decorrentes da lesão medular. Além disso, o decúbito supino poderá agravar a função respiratória.Para monitorização da necessidade de ventilação mecânica, de que algumas mulheres poderão carecer no final da gravidez e parto, deverão ser realizadas determinações seriadas da capacidade vital.

Parto prematuro
Alguns estudos descrevem uma incidência aumentada de parto prematuro nas grávidas com lesão medular, sobretudo nas lesões acima de D5.
No entanto, alguns autores apresentam valores sobreporíeis aos da população geral.
A ocorrência de pielonefrite pode estar associada a um parto pré-termo e estas mulheres apresentam maior ocorrência de ITU como já foi mencionado previamente.
Para prevenir o parto prematuro das mulheres com lesões acima de D10, uma vez que estas não sentem dor associada às contrações uterinas, é importante o ensino do auto palpação do útero para as detectar.
Estas mulheres devem também ser educadas relativamente a sintomas que possam indicar contrações uterinas, como a sensação de pressão pélvica, aumento da espasticidade, espasmos nos membros inferiores ou abdômen.
A partir das 28 semanas alguns autores preconizam uma avaliação obstétrica semanal ou bissemanal, devendo ser considerada a hospitalização se existir dilatação cervical.
Outros autores consideram que a realização do exame ginecológico é invasivo e constitui um risco de disreflexia autonômica, defendendo que a ecografia permite observar a extinção e dilatação do colo uterino, com menos riscos.
A hospitalização destas mulheres algumas semanas antes da data prevista de parto permitirá a monitorização destas e a constatação atempada do início do trabalho de parto.

Parto
O parto deve ocorrer em hospital central, onde existam as especialidades médicas essenciais ao acompanhamento destas mulheres e seus filhos (obstetrícia, anestesiologia, fisiatria, neonatologia/pediatria).
Deverá realizar-se uma avaliação prévia da mulher, que permita programar o parto de acordocom os parâmetros clínicos, nomeadamente: nível, grau e extensão da lesão medular, espasticidade, balanço articular e a presença de musculatura abdominal ativa.
Deve também realizar-se uma consulta de anestesiologia para estabelecer um plano para indução de anestesia epidural ou espinhal, sendo a segunda associada a risco de hipotensão severa e bradicardia nos lesionados medulares, pelo que a primeira é preferível.
As mulheres com lesão medular podem ter um parto vaginal, devendo a cesariana ser realizada apenas quando existem motivos obstétricos ou o risco de DA for elevado. Porém, pela experiência limitada no tratamento de lesionadas medulares, numa série de mulheres suecas, em 34 gravidezes de doentes com lesão abaixo de D5, apenas 8 tiveram um parto vaginal.
Algumas lesionadas medulares apresentam limitações articulares, particularmente das ancas, que poderão dificultar um parto vaginal. Deve também ser recordado que uma cesariana em doente com cistotomia suprapúbica poderá implicar uma incisão cirúrgica clássica.

A gravidez deve ser uma opção real para as mulheres com lesão medular. Se possível, deve ser planejada, considerando alterações terapêuticas, entre outras, que permitam balancear o bem-estar materno com os riscos potenciais para o feto. As complicações devem ser antecipadas e evitadas, principalmente as decorrentes da imobilidade e a disreflexia autonómica, que pode ter consequências nefastas. Estas mulheres devem ser acompanhadas num hospital central, por uma equipa que englobe diferentes especialidades médicas e diferentes técnicos, permitindo prestar cuidados especializados durante a gravidez, parto e puerpério, para garantir que todos estes períodos decorram de forma segura.

Foto: Revista Época

Fonte de pesquisa: spmfrjournal.org e site doutissima.com.br

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