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Muito mais que uma pulseira: o homem que ajudou Durant e os Warriors a seguir a vida

Posted by on jan 9, 2017

O homem na cadeira de rodas precisava de ajuda de seus amigos para subir três degraus e se aproximar Kevin Durant na área VIP. O momento não era o melhor, quase 1h da manhã em uma boate de San Francisco, apenas algumas semanas após a notícia de que a estrela da NBA se juntaria ao Golden State Warriors. E os seguranças estavam se certificando de que ele tinha seu espaço e privacidade.

No entanto, alguma coisa fez com que Durant deixasse Arthur Renowitzky e sua cadeira de rodas entrar. E uma vez que Renowitzky falou com Durant, os dois formaram um relacionamento que permanece ligado com uma pulseira.
“Ele só queria me dizer como ele chegou a esse ponto e o quão empolgado ele estava mesmo com as circunstâncias”, Durant disse ao “The Undefeated”. “Pensei que isso era inspirador. Ele me entregou uma pulseira, e a tenho usado desde então.”

“Você nunca sabe quando você estará em contato com anjos. Sinto que ele é um daqueles caras na hora certa, no momento perfeito, ele foi colocado na minha vida. Espero que ele sinta o mesmo.”

Em 2007, como um cornerback no segundo ano em Chabot College, Renowitzky parecia ter um futuro brilhante. Ele tinha acabado de ganhar sua licença imobiliária e, aos 20 anos, ele não tinha um histórico de detenção juvenil ou qualquer travessura que o atrapalhasse. Mas, em 2 de dezembro, após deixar uma discoteca em San Francisco com alguns companheiros de equipe, Renowitzky foi roubado e baleado no peito. O atirador fugiu e nunca foi encontrado.

“Tudo aconteceu tão rápido”, disse Renowitzky, hoje com 29 anos. “O garoto não deveria ser mais velho do que eu. Nunca o vi antes na minha vida. O aperto do gatilho aconteceu tão rápido. Acabei no chão lutando pela minha vida. Minha primeira reação foi me levantar e fugir. Pratiquei esportes em toda a minha vida. Sou um atleta.”
“Pela primeira vez eu não fui capaz de usar minhas pernas, e isso foi um choque. Nunca pensei, em um milhão de anos, que eu ficaria paralisado.”
Renowitzky foi levado às pressas para o San Francisco General Hospital, onde foi colocado em coma induzido por 21 dias. Ele acordou na véspera de Natal de 2007 na cama do hospital. Seu médico lhe disse que ele estava paralisado do peito para baixo, nunca iria andar novamente e talvez nunca mais falasse novamente.

“A bala atravessou meu peito, meus dois pulmões e quebrou minha espinha em torno da vértebra T3. Foi uma lesão completa da medula espinhal. A bala está alojada na minha coluna até hoje”, disse Renowitzky.

Naquela noite, naquele clube, Durant aprendeu muito com a trágica história de Renowitzky.

“É realmente doloroso para alguém passar por algo assim”, disse Durant. “Realmente, testa sua resiliência. Testa seu coração, força e coragem. Nós falamos sobre a resistência mental nos esportes. Mas imagine ter que passar por isso onde você sente que não tem mais esperança.”
“Ele coloca as coisas em perspectiva. Seu sorriso era contagiante. Sua energia apenas encheu todo o lugar. Ele é um grande cara para se conhecer. Toda vez que eu o vejo, é tudo amor.”
Renowitzky disse que estava ansioso por inspiração depois da paralisia. Ele estava rezando para ter sua voz de volta para usá-la para algo positivo. Ele trabalhou duro e, finalmente, recuperou a fala em 2008. Em seguida, começou a pensar como realizar as promessas que fazia em suas orações.
“‘O que eu vou fazer a partir de agora?’ Eu queria começar um movimento. Uma noite, deitado na cama e passando por toda essa dor, decidi que queria começar uma fundação para acabar com a violência armada, para me certificar de que isso não acontecesse a outro jovem e iniciar um movimento de impacto positivo no mundo, usando a minha voz para isso”, disse ele.

Em 2009, Renowitzky fundou a organização Life Goes on Foundation (LGO), sem fins lucrativos, com a missão de ajudar as vítimas de violência armada e pessoas que vivem com lesão medular e outras incapacidades. A LGO dá apoio financeiro às vítimas de lesões da medula espinhal com o objetivo de promover a independência pessoal e o bem-estar das pessoas com deficiência.

Renowitzky disse que falou com inúmeras escolas secundárias da Califórnia, salas juvenis, campos disciplinares, clubes, igrejas, hospitais, centros de reabilitação e faculdades. Viajou para Londres e Dubai para falar e se dirigiu a mais de 100 mil jovens.

“Não quero tocar 100 mil vidas. No fim do dia, quero chegar a 1 milhão de vidas “, disse Renowitzky. “Minha mensagem é nunca desistir e continuar, porque a vida continua. Faço isso compartilhando a minha história. Não importa o quão duro isso começa, você tem sempre que ir em frente.”
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“Eu não entendi por que isso aconteceu comigo. Mas, vendo a história como um todo, isso aconteceu por uma razão. Este é o meu cartão de visita.”
A pulseira que Renowitzky deu a Durant diz “Life Goes On”, “A Vida Continua”, tem o logotipo da “Life Goes on Foundation” e o endereço do site. A visão dele realmente ajudou Durant a avançar de suas grandes mudanças de vida no verão passado. O jogador mais valioso da NBA de 2014 ainda usa a pulseira preta em seu pulso esquerdo durante os jogos de Warriors.

“Ele queria que eu o representasse em quadra”, disse Durant. “Muita gente não conhece sua história. Só o vi duas vezes, mas temos uma ligação. Ao mesmo tempo, eu estava tentando seguir em frente com a minha vida. O ‘Life Goes On’ estava no meu pulso, e eu demorei alguns dias até perceber que era muito poderoso.”

Depois de escolher Golden State, Durant instantaneamente recebeu críticas por ter saído para um rival da Conferência que derrotou sua antiga equipe, o Oklahoma City Thunder, nas Finais do Oeste. Como se a adaptação a uma nova cidade e uma nova equipe não fossem suficientemente estressantes, ele também tinha os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro pela frente.

“Eu estava tentando seguir em frente com minha vida e minha decisão. Mudar para uma nova cidade, jogar em uma nova equipe. Às vezes, você sente que está um pouco preso. Uma vez que eu tenho essa mensagem, continuo em movimento. O trem nunca para, não importa o motivo. Siga em frente.”

As pessoas dizem regularmente que veem Durant usando a pulseira, afirmou Renowitzky. Ele fica lisonjeado e feliz com a consciência pública que o apoio do astro da NBA trouxe à sua fundação.

“Ele poderia simplesmente ter jogado fora”, disse Renowitzky. “Mas ele balança a pulseira a cada jogo. Realmente me inspira a continuar por que sei que tem algum tipo de efeito sobre as pessoas. Essa é a razão pela qual eu queria começar esta organização, para ter um impacto positivo na juventude, usando a minha voz para algo poderoso.”

“Apenas pelo fato de as pessoas verem KD usar a pulseira na TV realmente motiva e inspira todos a fazer o mesmo e transmitir a mensagem. As pessoas me marcam nas fotos no Instagram quando o veem com a pulseira. É uma loucura a resposta que receberes desde que ele começou a usá-la.”

Renowitzky descreve a si mesmo como “um grande fã Warriors” e ele é visto regularmente nos jogos da equipe em Oakland. Ele também construiu vínculos com outros craques do time, Stephen Curry e Klay Thompson.


Curry foi uma das primeiras celebridades com as quais Renowitzky se conectou depois de se conhecerem em 2010, após um jogo de Warriors. Curry também apoiou Renowitzky vestindo a pulseira e o gorro com “Life Goes On”, além de doar ingressos dos jogos da equipe para as crianças da fundação.
“A maneira como ele transformou sua história em positividade e tomado o controle da situação é realmente surpreendente”, disse Curry ao “The Undefeated”. “Você pode ver o quanto o basquete significa para ele… E, obviamente, a mensagem de ‘Life Goes On’ é a maneira mais otimista e positiva que você pode lidar com uma situação como a dele.”

“Ele tem uma vida para viver e vai viver do jeito dele. E isso é muito especial.”

Renowitzky joga como armador no Sacramento Rollin Kings, time de basquete em cadeira de rodas. Ele também atua em um time semiprofissional e é técnico de uma equipe do Boys & Girls Club. Quando Klay Thompson e Renowitzky se conheceram, em 2012, eles acabaram jogando basquete de cadeira de rodas juntos.

“O primeiro jogo dele [Thompson] em basquete de cadeira de rodas, ele apenas mandava air balls”, disse Renowitzky. “Uma vez que ele entendeu como usar a cadeira, como usar a tabela quadrado e arremessar, ele estava fazendo uma cesta de três atrás da outra. Nos próximos dois jogos, ele estava destruindo.”

No ano passado, Renowitzky foi capaz de andar pela primeira vez desde que foi baleado, com a ajuda de pernas robóticas. Ele ainda sonha com o dia em que voltará a andar por si próprio. Até então, a vida continua.
Eu caminharei novamente um dia. Eu realmente acredito nisso”, disse Renowitzky. “Deus tem isso reservado para mim. Agora, a cadeira é a minha mensagem para o mundo.”

Fonte: espn.uol.com.br

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