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Marcelo Yuka lança seu 1º disco solo e busca mundo pós-Trump e Bolsonaro

Posted by on jan 7, 2017

Ainda que em uma cadeira de rodas e submetido a longas temporadas de idas e vindas ao hospital desde que foi baleado em um assalto em 2000, Marcelo Yuka permanece em movimento e, agora, voa solo pela primeira vez.

O músico carioca de 51 anos é conhecido pelo passado como baterista e por ser a mente por trás de diversas canções d’O Rappa. Agora, desvencilha de vez sua imagem da antiga banda –da qual saiu em 2001–, ao lançar o primeiro álbum solo da carreira.

“Canções para Depois do Ódio” estará disponível a partir desta sexta (6) para download e streaming nas principais plataformas digitais. Já o CD deve chegar às lojas ainda neste mês. São 16 composições de Yuka nas vozes de artistas como Bukassa Kabengele, Céu e Cibelle.

A sonoridade melodiosa repleta de ritmos afro-brasileiros mesclados ao dub se sobrepõe à indignação e crítica sociopolítica características de Yuka, mas não as esconde.

A proposta, no entanto, não é puramente a investigação do presente, e, sim, a criação de uma trilha sonora para um futuro melhor –”um momento em que a gente possa descansar do que estamos vivendo”, ele sintetiza, citando a eleição de Donald Trump nos EUA, a crise dos refugiados na Europa e a popularidade de Bolsonaro no Brasil.

“É triste ver como os fascistas parecem estar ganhando, então criei um universo pra depois disso. Tudo vale, menos o ódio. Acho que está muito pesado, então fiz um disco contra o fascismo”, diz.

Apesar de alinhado com o noticiário atual, o projeto é antigo e demorou para sair do papel. “Sou chato, fiquei procurando a forma certa, o conceito que eu queria. Não foi a batida perfeita, mas foi a batida que me acalmou, que me fez entrar em sintonia com as coisas mais legais neste momento”, afirma o músico.

O álbum –”que você pode ouvir tomando um vinho e até dançar com ele”, acredita seu criador– foi dedicado à mãe de Yuka, Luisa Fontes, a responsável por “segurar a onda” desde que o filho se tornou deficiente físico por uma causa violenta, “e não natural”, ele faz questão de lembrar. “Talvez, se não fosse por ela, eu já teria desistido”.

Em uma entrevista que concedeu em 2003, o músico confessava que não era feliz e que nunca seria nessas condições.

Mais de uma década depois, ele se esquiva da mesma afirmação, mas também não a refuta. “Quero me sentir uma pessoa de verdade, então se eu estou triste, estou triste; se estou alegre, estou alegre, e não é porque eu sou artista que eu vou omitir isso”, diz.

“O que me faltava naquele momento era tolerância comigo mesmo, e o que procuro agora é a tolerância que nos falta. Fiz um disco pra confortar e, para isso, tem que confortar a mim primeiro”.

 

CANÇÕES PARA DEPOIS DO ÓDIO
ARTISTA Marcelo Yuka
GRAVADORA Sony
QUANTO R$ 29,90 (CD), US$ 9,99 (iTunes), R$ 21,99 (Google Play)

Fonte: folha.uol.com.br

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