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Jovem paraplégico percorre hospitais por dois dias até conseguir atendimento

Posted by on ago 30, 2017

RIO – Paraplégico, Vinícius de Jesus Rodrigues, de 20 anos, enfrentou nos últimos dois dias o caos em que está mergulhada a saúde pública. O rapaz, que usa uma sonda urinária, amanheceu nesta segunda-feira com fortes dores na barriga. Para evitar uma nova infecção urinária, a mãe dele, Erundina Imaculada, de 55 anos, e a irmã, Josiane de Jesus Rodrigues, de 27, pediram dinheiro emprestado para contratar um táxi e levar o jovem ao hospital. Como a cadeira de rodas do rapaz está quebrada, o motorista teve que ajudar a carregar Vinícius nos braços. A saga começou no Hospital Municipal Moacyr do Carmo, em Caxias, onde esperaram sete horas em vão. Por volta das 19h, foram aconselhados por uma atendente a procurar o Hospital estadual Getulio Vargas, na Penha, porque a equipe ali estava incompleta.

– Ela disse que ele precisava tirar a sonda, mas que não tinha médico lá para isso. Mandaram a gente se virar. Como já era tarde, fomos para casa, para tentar achar um médico no dia seguinte. Não deram nem um remédio para a dor dele. Mesmo ele não podendo andar, ninguém fez nada – contou Josiane.

 

Nesta terça-feira, os três chamaram o taxista novamente e partiram de Gramacho, onde moram, para a Penha. Tinham esperanças que, enfim, veriam algum médico. Chegaram pouco depois do meio-dia ao Getulio Vargas. Não passaram do setor de triagem.

– A moça disse que não tem urologista, porque todos foram demitidos. E mandou a gente ir para o Souza Aguiar. Não ofereceram nenhuma ajuda, nem uma ambulância para levar meu filho. Isso é muito injusto. Meu filho morrendo de dor, e ninguém faz nada. A sonda que tem que ser retirada foi colocada aqui mesmo, em maio. Não aguento ver meu filho sofrendo deste jeito – disse, chorando Erundina Imaculada, que 40 minutos depois embarcou com os filhos no táxi do amigo, numa viagem de 19 quilômetros até o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, onde até 17h de ontem ainda aguardava na fila da emergência.

A Secretaria municipal de Saúde informou, em nota, que Vinícius foi chamado sete vezes a partir das 15h pela Coordenação de Emergência Regional (CER), que fica ao lado do Souza Aguiar, mas que ele não respondeu. Por volta das 18h30m, ele foi atendido. Duas horas depois, a família continuava no hospital, com o taxista, todos sem comer.

– Até agora todos em jejum, mas ele trocou a sonda e está fazendo exames. Isso que importa – disse a mãe.

Já a Secretaria estadual de Saúde, contrariando a versão de Erundina, informou que o jovem foi atendido no Getulio Vargas, onde a equipe médica avaliou “que não havia necessidade de troca do material e o paciente foi orientado a buscar atendimento ambulatorial”.

Moradora de Jardim Gramacho, Erundina já foi faxineira e hoje vive de catar lixo para reciclagem. Pediu emprestado a uma ex-patroa o dinheiro para pagar as viagens de táxi com o filho em busca de atendimento. Só ontem, até 14h, já tinha gastado R$ 61.

– Eles tinham que fazer alguma coisa. Infelizmente, a saúde de nosso país está acabando. Estão mandando os médicos embora, fechando hospitais. Hoje soube que vão fechar a emergência do Cardoso Fontes – disse ela.

Erundina, que luta contra um câncer de mama há dois anos, já conhece as agruras da saúde na rede federal. Ela faz tratamento no Hospital Geral Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, e, no mês passado, ficou 15 dias sem tomar o medicamento (Anastrozol), porque estava em falta na unidade.
Fonte: O Globo

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