Ser Lesado

Curiosidade e Informação sobre Lesão Medular

Incontinência Urinária Por Bexiga Neurogênica

Posted by on jan 25, 2017

Antes de começarmos, importante explicar que durante nosso desenvolvimento existe uma diferença de ritmo de crescimento entre a coluna e a medula. Esse crescimento desigual entre coluna e medula faz com que não haja correspondência exata entre a vértebra e o segmento da medula subjacente, principalmente no final do coluna. Observe no desenho ao lado essa relação.

Importante saber esse dado, pois dependendo do local de lesão medular pode haver um padrão diferente de incontinência urinária.

Lesão medular

A medula espinhal pode sofrer lesões de diversas origens. As lesões traumáticas são as mais frequentes: acidentes de trânsito, quedas, lesões por arma branca ou arma de fogo, agressões etc. São lesões comuns em pessoas jovens.

Lesões na região cervical ou torácica alta causam tetraplegia e lesões na região lombar ou torácica baixa causam paraplegias. Essas lesões podem ser totais (total destruição da medula naquele seguimento) ou parciais. Dependendo do grau de lesão, as sequelas serão de perda total ou parcial do movimento abaixo do nível de lesão.

Sabendo que o controle e a coordenação do enchimento e do esvaziamento da bexiga dependem da integridade do Sistema Nervoso Central e Periférico, fica fácil saber porque as lesões medulares também ocasionarão disfunções urinárias.

Vamos recordar o controle da bexiga. O Sistema Nervoso Autônomo é parte do Sistema Nervoso Periférico. O Sistema Nervoso Simpático é responsável por manter a bexiga relaxada e o períneo contraído na fase de enchimento vesical e o Sistema Nervoso Parassimpático é responsável pela contração da bexiga e relaxamento do períneo durante a fase de esvaziamento.

centro da micção com fonte

 

Após lesão medular, podemos dividir o quadro clínico do paciente em duas fases: aguda e crônica.

A fase aguda também é chamada de fase de choque medular. O padrão urinário encontrado é de arreflexia (bexiga hipoativa). O paciente fica com retenção urinária, pois a bexiga não tem força de contração necessária para esvaziar.

Após essa fase de choque, que pode durar de seis a doze semanas mais ou menos, inicia-se a fase crônica. O padrão urinário a partir desse momento vai depender da altura da lesão medular: se a lesão for acima da região sacral (suprassacral) da medula ou se for na região sacral da medula.  A lesão pode ocorrer também abaixo da região sacral, nos nervos periféricos abaixo dessa região.

  • Lesão medular suprassacral: geralmente ocorre perda do controle voluntário da micção. O padrão é de contrações não controladas da bexiga – bexiga hiperativa. Além disso, o paciente perde a coordenação entre o contração da bexiga e relaxamento de esfincter. A bexiga contrai, mas o esfincter pode não estar relaxado. Isso aumenta a pressão dentro da bexiga.

 

  • Lesão medular sacral: O centro parassimpático está localizado na região sacral. Lembrem que ele é o responsável por promover a contração da bexiga. O padrão mais comum quando tem lesão medular nesse local  é o de bexiga hipoativa. No entanto, se a lesão for incompleta, o paciente pode apresentar padrão de hiperatividade. O padrão de atividade do esfíncter é variável – pode estar com tensão elevada ou diminuída.

 

  • Lesão nos nervos periféricos abaixo da região sacral:Quando ocorre lesão nessa altura, geralmente o paciente tem bexiga hipoativa. Pode ocorrer também prejuízo da função de controle de esfincter.

Os padrões descritos acima são os mais comuns, mas devem ser investigados e avaliados periodicamente, pois podem alterar ao longo do tempo. O exame que evidencia qual o padrão existente é o EXAME URODINÂMICO.

O paciente com lesão medular deve ser sempre acompanhado por urologista, para evitar complicações. Infecções urinárias são frequentes nesses pacientes. Além disso, devido a dificuldade em controlar esfincter associada à retenção urinária por bexiga flácida ou  contração não controlada da bexiga no caso de bexiga hiperativa, pode haver, dentre outras complicações, refluxo da urina da bexiga pros rins. Esse quadro é grave e pode levar a comprometimento renal irreversível. Então, atenção contínua à função urinária do paciente com lesão medular é essencial.

Antes de concluir, gostaria de enfatizar que aqui foram relatadas apenas algumas causas de Bexiga Neurogênica. Importante sabermos que qualquer alteração no Sistema Nervoso Central ou Periférico que interfira no funcionamento da bexiga pode ocasionar Bexiga Neurogênica.

Fonte: A Mulher e o perineo

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