Ser Lesado

Curiosidade e Informação sobre Lesão Medular

Incidência, Causas e Tratamento do Trauma Raquimedular – TRM

Posted by on fev 13, 2017

Entende-se por Trauma Raquimedular (TRM) a lesão traumática da coluna vertebral com associação de lesão medular, podendo esta ser completa, ou incompleta, com ruptura total ou parcial da medula. O enquadramento diagnóstico é definido através da funcionalidade do paciente no momento do exame neurológico com a aplicação de testes específicos.

 

A coluna vertebral é formada normalmente por 33 vértebras, 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4 coccígeas. Essas vértebras são superpostas e intercaladas por discos intervertebrais e tem início na base do crânio e estendem-se até a extremidade mais caudal do tronco.

 

A medula espinhal pode ser definida como o prolongamento do Sistema Nervoso Central. Tem sua origem na base do bulbo e se estende aproximadamente até a primeira ou segunda vértebra Lombar, atingindo uma extensão entre 44 a 46 centímetros. Sua função é conduzir estímulos nervosos motores e sensoriais para todo o corpo, coordenando inúmeras atividades, como por exemplo, a ação muscular voluntária e reflexa.

 

A incidência mundial para o TRM é de aproximadamente quinze a quarenta casos por milhão de habitante. No Brasil, este número é maior do que a incidência mundial e estimam-se mais de 11.000 casos novos por ano. Quanto a distribuição por sexo, cerca de 80% são homens. Quanto às causas, 41,7% ocorrem devido a acidentes de trânsito, 26,9% por armas de fogo, 14,8% por queda de altura e 9,3% por mergulho em água rasa.

 

A localização anatômica da lesão (nível medular) está diretamente relacionada ao mecanismo de trauma, e a região cervical é o segmento mais afetado. Os mecanismos de lesão são diversos e podem acometer a medula a partir de compressões, esmagamentos, movimentos de torção, distensão, ruptura, entre outros.

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Exemplo de TRM a nível cervical. Na imagem, pode-se observar um trauma com fratura e deslocamento da vértebra e compressão da medula

Alguns dados sobre o nível medular e a extensão da lesão mostram que os padrões de comprometimento mais frequentes são tetraplegia incompleta (38,3%), seguida por paraplegia completa (22,9%), paraplegia incompleta (21,5%) e tetra­plegia completa (16,9%).

Após o evento lesivo é de extrema importância o manejo precoce por equipe interdisciplinar de saúde e os profissionais mais comumente envolvidos neste processo são enfermeiros, fisioterapeutas, médicos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. A avaliação minuciosa é aspecto relevante e tem direta influência no resultado do tratamento. 

Existem alguns instrumentos capazes de avaliar o lesado medular e orientar seu prognóstico, bem como mensurar incapacidades, definir o nível da lesão e se ela é completa ou incompleta, e estes serão discutidos posteriormente em artigo específico.

Dor neuropática, alterações músculo-esqueléticas, Ossificação Heterotópica (OH), Osteoporose, Alterações vasculares, Trombose Venosa Profunda (TVP), Hipotensão postural, Disreflexia autonômica, Bexiga neurogênica, Intestino neurogênico, Úlceras por pressão, Espasticidade, automatismos, Distrofia Simpático Reflexa e disfunções sexuais são as alterações que mais comumente encontraremos em quem sofre o TRM.

A reabilitação, obrigatoriamente deve ter como meta viabilizar autonomia, independência e qualidade de vida ao paciente, por meio de atividades voltadas para o desenvolvimento físico, educativo e psicossocial. A orientação para familiares e cuidadores também faz parte do processo de reabilitação, haja vista que, o maior tempo de estimulação será em ambiente domiciliar.

O profissional Fisioterapeuta deve basear sua abordagem nas alterações da função de cada paciente, lembrando que esta será relativa ao nível medular de cada um e ao tipo de lesão, ou seja, uma pessoa com lesão medular completa ao nível cervical baixo (C6) não terá as mesmas possibilidades e metas de reabilitação que uma pessoa com lesão incompleta com nível medular torácico alto (T11).

Podemos concluir, que o nível medular e o tipo de lesão determinarão as possibilidades de recuperação. A escolha por um profissional com formação especializada terá grande influência na aquisição de bons resultados, pois este será capaz de buscar alternativas voltadas a cada pessoa, utilizando-se das diversas abordagens possíveis.

Assim como falaremos em um novo artigo sobre instrumentos avaliativos, também acrescentaremos a esta discussão métodos de tratamento, abordagens, visões complementares e prognóstico para cada tipo de lesão.

Sugestão de leitura:

DIRETRIZES DE ATENÇÃO À PESSOA COM LESÃO MEDULAR – MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015. 

PROJETO BHTRM: NOVA ESTRATÉGIA DE MONITORAMENTO E ATUAÇÃO NO TRAUMA RAQUIMEDULAR DA CIDADE DE BELO HORIZONTE. GONÇALVES, D E COL. COLUNA/COLUMNA. 2014;13(4):322-4.

ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO NA REABILITAÇÃO DO TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR. PEREIRA, M. ARQ NEUROPSIQUIATR 2005;63(2-B):502-507.

CARACTERIZAÇÃO CLÍNICA E DAS SITUAÇÕES DE FRATURA DA COLUNA VERTEBRAL NO MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO PRETO, PROPOSTAS PARA UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO DO TRAUMA RAQUIMEDULAR. Vasconcelos, E.  Coluna/Columna. 2011; 10(1):40-3.

 

Fonte: www.neurofuncao.com.br

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