Ser Lesado

Curiosidade e Informação sobre Lesão Medular

Implante de marca-passo contribui para a normatização do processo respiratório em pacientes tetraplégicos com lesão medular

Posted by on ago 21, 2017

A respiração é um processo natural em que as células do nosso corpo absorvem oxigênio (O2) e eliminam dióxido de carbono (CO2). Sendo um processo essencial para a manutenção da vida, quando há limitação em aspirar e expirar o ar, as consequências são graves e, em alguns casos, com risco de morte para paciente tetraplégicos com lesão medular. É justamente para normalizar o sistema respiratório que um novo dispositivo, disponível há 10 anos no Brasil, tem gerado bons resultados e proporcionado melhor qualidade em pacientes até então dependentes de ventilação mecânica: o marca-passo diafragmático. Com FDA nos EUA desde 1986, aqui no país ela é pouco divulgada e expandida aos casos que poderiam se beneficiar com ela.

Mas, afinal, o que é um marca-passo diafragmático? Como é implantado e como funciona? Estas e outras perguntas sobre o procedimento são respondidas pelo neurocirurgião Dr. Luiz Daniel Cetl, do Departamento de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

1. O que é um marca-passo diafragmático?

É um dispositivo que é implantado para controlar a respiração de quem não consegue respirar sozinho. A técnica de implante do marca-passo é muito semelhante à técnica utilizada no estimulador do nervo vago (o que muda basicamente é o nervo abordado, nervo frênico, e a via é a mesma), onde os pacientes têm alta no mesmo dia do procedimento ou no dia seguinte.

2. Como ele é implantado? Como é a cirurgia e o pós-cirúrgico?

O marca-passo diafragmático é implantado junto ao nervo frênico (nervo responsável pela respiração), mas pode ser posicionado no trajeto do nervo, na cavidade torácica ou no pescoço. É implantado nos dois lados para estimular tanto o nervo esquerdo como o direito. Geralmente o aparelho é ligado apenas cerca de duas semanas após a cirurgia.

3. Para quais casos é indicado o marca-passo diafragmático?

É indicado para pacientes que não conseguem controlar a respiração. Em geral, são indivíduos tetraplégicos com lesão medular alta (acima da vértebra C4) ou com Síndrome de Ondine, uma condição genética raríssima em que o paciente não respira durante a fase REM do sono – fase caracterizada pela atividade cerebral de baixa amplitude e mais rápida, por episódios de movimentos oculares rápidos e de relaxamento muscular máximo).

4. Por que são indicados em casos de tetraplegia com lesão medular alta?

Estes casos são a quase totalidade das indicações. As contraindicações limitam-se a pacientes que possuem lesões do nervo frênico (quando o nervo não funciona).

5. Qual a incidência dos casos?

Nos Estados Unidos, a incidência de trauma medular é de 12.500 casos novos ao ano, sendo que desses, 47% apresentam tetraplegia parcial e 16% tetraplegia completa.

A expectativa de vida de pacientes com lesão medular e ventilador dependentes é de 16,8 anos, quando sobrevivem às primeiras 24 h e têm a lesão por volta dos 20 anos de idade. Aos 40 anos, a sobrevida é de 7,5 anos e, aos 60 anos, 1,6 anos. Dos que sobrevivem ao primeiro ano e têm lesão aos s20 anos, a expectativa é de 25 anos; aos 40 anos, 12,3 anos, e aos 60 anos, 3,8 anos de sobrevida.

Problemas respiratórios são a principal causa de morte em pacientes com tetraplegia por lesão medular alta. Sendo assim, o marca-passo diafragmático faz com que esses pacientes não necessitem de ventilador mecânico para viver, o que ainda melhora a mobilidade do paciente, pois não necessita ficar acamado.

6. Quais benefícios?

O marca-passo diafragmático fornece função fisiológica respiratória muito superior em comparação aos ventiladores mecânicos, porque o ar inalado é puxado para os pulmões pela musculatura, ao invés de ser forçado para o peito sob pressão mecânica. Os benefícios do marca-passo diafragmático incluem:

• custo-eficácia, uma vez que os pacientes podem viver fora dos hospitais e os custos de um ventilador e seus componentes descartáveis são eliminados.

• menor taxa de infecção devido à redução na aspiração, eliminação do umidificador externo e dos circuitos do ventilador, além da possibilidade de remoção do tubo de traqueostomia (em pacientes que tiveram sua traqueostomia fechada).

• melhoria do retorno venoso (quantidade de sangue que chega ao coração por minuto).

• respiração e fala normais.

• facilidade de comer e beber.

• aumento da mobilidade.

• uso discreto devido ao pequeno tamanho dos componentes externos e funcionamento totalmente silencioso.

7. Há dados de implantes realizados no Brasil?

Os poucos casos no Brasil são de implantes na cavidade torácica, realizados por cirurgiões torácicos. Nosso objetivo, agora, é realizar a técnica com o implante na região cervical, que possui uma morbidade menor que os implantes na cavidade torácica. Além disso, em alguns países, como a Suécia, praticamente todos os casos são feitos por via cervical. No Brasil, nos últimos 5 anos, foram realizados 25 implantes, o que tem contribuído para o resgate à qualidade de vida daqueles pacientes que até então ficavam presos a uma cama e ligados a um ventilador para sobreviver.

8. O SUS cobre a técnica?

Infelizmente, nem o SUS nem convênios médicos cobrem diretamente a técnica de implante do marca-passo diafragmático. Alguns casos precisaram de parecer jurídico, sendo sua maioria para pacientes do SUS.

Dr. Luiz Daniel Cetl é referência no tratamento das epilepsias e tumores cerebrais. Especialista pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), membro do grupo de tumores do Departamento de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e integrante da Associação dos Neurocirurgiões do Estado de São Paulo (SONESP). Atua ainda como preceptor de cirurgia de tumores cerebrais no Departamento de Neurocirurgia da Unifesp.

Dr. Luiz Cetl na Web:

Site: http://www.drluizcetl.com.br

Facebook: https://www.facebook.com/dr.luizcetl

Instagram: https://www.instagram.com/dr.luizcetl

Twitter: https://twitter.com/DrLuizCetl

Fonte: http://www.redepress.com.br/

Deixe uma resposta