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Holofotes da bravura pra celebrar o Dia Internacional da Mulher

Posted by on mar 8, 2017

Vista de longe Nyele Rocha Mendes, 21 anos demonstra as proporções que toma a rotina de uma cadeirante capaz de superar obstáculos, ter garra para garantir seu lugar ao sol e sonhar com futuro na área de Direito. Para ela que é universitária do quinto período, o Dia Internacional da Mulher é todo dia!

Cabelos escovados, rosto maquiado, as cicatrizes físicas e psicológicas de uma bala perdida deixaram Nyele tetraplégica aos onze anos de idade, em Irecê, interior baiano. O resultado foi uma lesão medular, respiração com ajuda de aparelhos, dois meses de internação em um hospital e dois anos afastada da escola. Retomou os estudos para continuar o sétimo ano e dar uma sequência ao sonho da carreira em Direito, profissão escolhida desde os tempos de menina.

“O começo não foi fácil, mas o que me ajudou muito foi estar cercada de amor dos meus pais e de uma turma escolar que me recebeu muito bem. A professora acompanhou toda minha história e o amor me transformou, não deixou que eu caísse na dor”, explica a universitária, em entrevista para “Novo Olhar”.

Desde o início da fisioterapia, logo após o acidente, não se abateu, demonstrava o gosto por maquiagem, por vestir-se bem e assim melhorar sua auto estima para poder seguir na luta pela recuperação dos movimentos.  “Gostava de pintar o rosto, com acessórios de maquiagem, caprichava nos movimentos e fazia os exercícios físicos com muito empenho em busca do melhor para sua saúde”.

Sua personalidade marcante ajudava na hora de enfrentar os desafios e quebrar as barreiras impostas pela limitação física. Ela procurava participar de eventos da faculdade, shows,  cinema com amigos e esses momentos foram muito importantes para ela conseguir superar seus próprios limites e atingir seus objetivos na vida.

Experimentando sempre novas sensações, Nyele pode dizer que já pegou onda na praia de Atalaia, tradicional cartão postal da capital sergipana e tudo isso só foi possível, graças a coragem e a fé que determinou seus caminhos. Mulher que celebra cada conquista nos estudos, e os avanços em cada movimento para escrever sua história de vida.

“Quero ser promotora ou juíza e tenho buscado isso, depois do acidente percebi que fiquei mais centrada nos estudos. A minha cadeira de rodas é motorizada e me permite ir em qualquer lugar, situação que nem sempre é acessível para outras pessoas que precisam de algum auxílio. Gosto de quebrar barreiras, driblar obstáculos e sair seja na cadeira ou em qualquer outro meio de locomoção”, retrata.

Devido a gravidade do acidente, sua recuperação foi algo que surpreendeu a classe médica, pois ela conseguiu alcançar progressos como a movimentação dos braços, fato  que foi atribuído a sua força e determinação pessoal, o que faz de Nyele uma guerreira e um exemplo, não só no Dia Internacional da Mulher, mas durante toda a sua vida. Parabéns pra você Nyele e para todas as mulheres guerreias deste país!

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