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Ex-lutador de jiu-jítsu tetraplégico faz estampas desenhando com o queixo

Posted by on mar 17, 2017

A vida é feita de desafios. E para o jovem Gabriel Diniz, que ficou tetraplégico após um sofrer um golpe em uma luta de jiu-jítsu há quatro anos, um novo estímulo em sua vida vem por meio de uma linha de roupas de fight wear, lançada há pouco tempo. A inspiração vem do mundo da luta, com frases e citações, mas as estampas são feitas pelo próprio Gabriel Diniz, que faz os desenhos com o queixo.

Gabriel Diniz, que segue fazendo tratamento para tentar recuperar os movimentos dos braços e das pernas, cria as camisas usando um mouse sensorial, que capta os movimentos do seu rosto, e vende os produtos pela internet. Na hora da entrega da camisa, que é feita numa caixa especial, é contada um pouco da história do capixaba, que emocionou o mundo da luta.

– Não é por causa do acidente que eu tenho que ficar parado, lamentando. Claro que tem dias que a gente não está de bem com a vida, qualquer pessoa, não só quem se acidentou. Qualquer ser humano tem esses dias ruins, mas eu vi que eu não podia ficar parado, tinha que tocar a vida, aí eu resolvi fazer isso e está dando certo – afirmou Gabriel à TV Gazeta.

Gabriel Diniz cria estampas de camisas em computador usando mouse sensorial (Foto: Reprodução/TV Gazeta)Gabriel Diniz cria estampas de camisas em computador usando mouse sensorial (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Lutadores do UFC como Fabrício Werdum, que fez campanha pela internet, Erick Silva, que o visitou em sua casa, Rodrigo Minotauro, que se encontrou Gabriel em feira de ciências, e Anderson Silva, que mandou um vídeo, são alguns dos atletas que se uniram nessa corrente de energias positivas pela recuperação do ex-atleta, que atualmente tem 19 anos e que tinha apenas 15 na época da lesão.

Após o acidente, a família de Gabriel Diniz, que morava em Alegre, na Região Sul do Espírito Santo, se mudou para Guarapari, na Região Metropolitana, em busca de mais qualidade de vida. Da varanda do apartamento, diante de um mar imenso, é o local onde o jovem busca inspiração que precisa, não só para criar novas estampas, mas para seguir lutando por uma vida melhor.

– É bacana você ver as pessoas usando ali o seu trabalho, aquilo que você lutou para conseguir. A gente sempre tenta tirar um aprendizado e tocar a vida, porque não adianta eu esperar quando vou andar. A gente mantém a esperança, mas a gente toca a vida porque ela tem que continuar.

Tetraplégico, o ex-atleta faz os desenhos nas camisas com o queixo (Foto: Reprodução/TV Gazeta)Tetraplégico, o ex-atleta faz os desenhos nas camisas com o queixo (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Luta por acessibilidade também em pauta

As lutas não são poucas, e diárias. A falta de uma rampa na frente do seu prédio o atrapalha a chegar à praia. Gabriel Diniz quer voltar a estudar, mas precisa de um carro adaptado para conseguir se locomover com mais facilidade. A batalha por mais acessibilidade para as pessoas com deficiência física também faz parte da rotina do ex-lutador.

– Tem gente que ainda insiste em fazer calçadas tortas, sem rampa de acesso. Eu já vi vários cadeirantes correndo o risco de cair por causa desse acesso. Infelizmente muitas pessoas não olham para isso. Com um carro normal, eu preciso sair da cadeira (de rodas), e fica naquele “monta-desmonta” a cadeira, e isso estraga a cadeira. Então um carro adaptado seria uma boa, a gente está tentando conseguir – finaliza.

Fonte: globoesporte.globo.com/es.

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