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Dois anos depois, estudante que ficou tetraplégico após mergulho em açude se casa no Acre: ‘momento único’

Posted by on abr 23, 2019

Casal disse sim em uma cerimônia organizada no sábado (20), em uma chácara de Rio Branco — Foto: Arquivo pessoal

O estudante do curso de medicina veterinária Natan Pinheiro realizou mais um sonho no sábado (20): subir ao altar com a biomédica Gabriely Chaves. O jovem ficou tetraplégico em 2016 após um mergulho em açude de um balneário de Sena Madureira, interior do Acre.

Dois anos depois do acidente, Pinheiro recuperou os movimentos dos braços, tronco e a sensibilidade, com muita fisioterapia e outros tratamentos. O casal começou a namorar três meses após o acidente, e disse sim em uma cerimônia intimista, organizada em uma chácara de Rio Branco.

“Fizemos uma coisa mais casual, fui de bermuda mesmo e ela de branco. Foi um momento único, tudo perfeito. A melhor parte foi a organização que os amigos e familiares ajudaram”, contou o recém-casado.

Bolo do casamento

Entre os detalhes, uma coisa chamou mais atenção dos convidados na decoração. Em cima do bolo, um dos bonecos estava sentado em uma cadeira de rodas, para representar o noivo.

A personalização ficou por conta de amigos, que além de ajudar na decoração, prepararam cada detalhe para tornar tudo especial pro casal.

“Organizamos juntos, só que chamamos os amigos para ajudar e foi mais legal ainda a organização. Os bonecos estavam com a mesma roupa e tudo igual”, falou.

Bolo dos noivos teve boneco sentado em cadeiras de rodas — Foto: Arquivo pessoal

Acidente

Em constante luta para recuperar os movimentos, Pinheiro diz que ainda não lembra do dia do acidente e nem dos 15 dias depois. A família acredita que ele bateu em algo no fundo do açude ao mergulhar e desmaiou. O jovem teria ficado submerso por ao menos cinco minutos em uma profundidade de dois metros.

Ele revelou que nunca reclamou e nem questionou os motivos do que aconteceu, mas focou na recuperação e busca de melhorar a cada dia.

“Aconteceu, não vou ficar pensando nisso, tive que tomar uma decisão. Não parei de viver, de fazer fisioterapia, de buscar ajuda médica. Escolhi viver e tentar melhorar. Nunca reclamei, fiquei um pouco dependente, mas continuei fazendo as mesmas coisas”, relembrou.

Não só escolheu viver como encontrou o amor da vida. Natan e Gabriely só se conheciam de vista porque ele era aluno da mãe dela. Conversa vai, conversa vem, o casal marcou de se encontrar e nunca mais se desgrudou.

Casal começou a namorar três meses após Natan fica tetraplégico — Foto: Arquivo pessoal

“Só a conhecia de vista, conhecia a mãe e família, mas ela não tanto. No final de 2016 começamos a namorar”, comentou.

Um ano depois o casal estava noivo e planejando a vida a dois. Graciely lembra com exatidão a data que os dois se encontraram pela primeira vez.

“19 de novembro de 2016. Desde o dia que nos vimos, não foi como encontrar qualque pessoa na rua, como era antes. Naquele dia nos vimos com outros olhares e nunca mais nos largamos”, frisou Gabriely.

Adaptação

Formada em biomedicina, Gabriely explica que se adaptou à rotina do amado, passou a torcer pela recuperação dele e viu as pessoas ao redor se unirem também pela felicidade do casal.

“Pensava que ia ter represália no início, mas não foi assim. Muita gente admirou nossa forma de viver, e nos ajudou. Não só eu, mas outras pessoas se adaptaram e passaram a ver o mundo com os olhos dele. Muita gente se adaptou a ele”, afirmou.

Em lua de mel, o casal passou a morar junto apenas após o casamento. Ao falar do marido, Gabriely é só elogios e admiração.

“Pra mim ele é um exemplo de superação, nunca se queixou do acidente. A forma com ele vê o mundo, me fez mudar minha visão também. Às vezes, reclamamos de tudo, e ele não se queixa, sempre vê o melhor das coisas”, concluiu.

Fonte: G1

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