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Criança supera tragédia e sonha em virar jogador de basquete

Posted by on jan 16, 2017

John Carlos Souza tinha apenas oito anos quando retiraram dele o sonho de ser um jogador de futebol. Ele sempre falava para os amiguinhos de escola: “Quando crescer, vou jogar no Vasco e ver o Maracanã lotado gritar meu nome”. Mas, por conta de uma bala perdida, o desejo do menino não poderá ser realizado. Era noite do dia 30 de janeiro de 2016 quando John estava em um táxi com sua mãe e um assalto, seguido de um disparo de arma de fogo, encerrou um ciclo em sua vida.

Mesmo com as trágicas situações da vida, existem pessoas que podem enxergar algo que ninguém vê. Diante da história do pequeno John, essa pessoa foi o técnico da seleção brasileira de basquete em cadeira de rodas, Martoni Moreira.

Durante um encontro organizado pela Secretaria de Estado de Esportes e Lazer (Sesport), o treinador viu a alegria de John ao jogar basquete sobre rodas com a cadeira inapropriada para a prática esportiva e, a partir disso, teve a bela atitude de convidar o menino para praticar o esporte.

Como o convite não poderia ser recusado, afinal, tratava-se de um comandante de seleção brasileira, John aceitou se aventurar de vez na modalidade e começará a treinar no Complexo Esportivo Jayme Navarro de Carvalho em fevereiro. Além do incentivo, Martoni ainda presentou John com uma cadeira de rodas própria para a atividade.
“Ele (Martoni) falou que não é para eu desistir nunca dos meus sonhos e objetivos. Com treino e dedicação, sei que vou conseguir chegar onde eu quiser. Passei por algumas coisas ruins na vida, sofri, mas continuo a mesma criança de antes”, disse o menino.

Dificuldade não existe no vocabulário de John. O estudante de nove anos perdeu os movimentos abaixo da cintura. Mas o que pode ser um obstáculo para alguns, para ele é só mais um degrau que a limitação física não o impede de subir. Sempre acompanhado pelo pai, que se diz fã número um do filho, John vence preconceitos e diz com convicção:

 

“Quero ser um atleta paralímpico. Eu me sinto normal, não me sinto diferente de ninguém. O que os outros conseguem fazer normalmente, eu tento fazer do meu jeito também.”

Sonho de conhecer Anderson Varejão

Inspiração. Essa é a palavra que define John. A sempre sorridente criança se interessou por esportes ao assistir jogos pela TV e o basquete foi um dos que mais lhe despertou a curiosidade. Ao descobrir que colegas praticavam a modalidade adaptada, o morador de Carapina Grande, na Serra, e sua família buscaram informações de times capixabas para que ele tivesse mais contato com o esporte. Deu certo. O estudante da 4ª série do ensino infantil agora sonha em conhecer um jogador profissional, de preferência o ídolo Anderson Varejão, atleta do Golden State Warriors, da NBA.

“Tenho muita vontade de conhecer um grande jogador de basquete. Estou começando a acompanhar mais a fundo o esporte agora, então, conheço poucos ainda. O Anderson Varejão, que é aqui do Espírito Santo, seria muito bom (de conhecer)”, destaca John.

É agradável e prazeroso rir. Quando se enfrenta uma dificuldade e existe a superação, brincar, transforma toda uma angústia em humor. São esses pilares que movem a capacidade do ser humano em superar, enfrentar e vencer. É isso que move o pai de John, seu José Carlos Souza, de 51 anos, que se emociona ao falar do filho.

“O John é um menino de ouro, educado, feliz, que sempre está se divertindo e animando as pessoas. É um lutador. Passamos por muitas dificuldades no dia a dia, porém nunca deixamos de agradecer a Deus por estarmos vivos e bem. Os problemas a gente enfrenta”, conta.

Fonte: Gazeta Online

 

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