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Como ex-dançarino de Frank Aguiar descobriu ‘mundo que não existia’ após ficar paraplégico

Posted by on mar 20, 2017

Luis Carlos Cardoso sempre precisou dos movimentos para viver. Dançarino profissional por nove anos, ele viu sua vida mudar, porém, em 2009, quando ficou paraplégico no auge da carreira, trabalhando com Frank Aguiar. Era o início de uma nova vida, coroada nesta quinta-feira com uma final na canoagem em sua estreia nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016.

Cardoso ficou com a quarta colocação na categoria KL1, completando os 200 metros na Lagoa Rodrigo de Freitas em 51s631, a menos de meio segundo do terceiro colocado, o britânico Ian Marsden. O ouro ficou com o polonês Jakub Tokarz e a prata com o húngaro Robert Suba.

“Em fevereiro de 2010, saí do hospital e começou uma nova vida. Entrei andando e sai de cadeira de rodas. Conheci um mundo que para mim não existia. Quer dizer, existia, mas não fazia parte do meu convívio”, relembrou ele, em entrevista ao ESPN.com.br, antes dos Jogos.

“Estava fazendo fisioterapia. Foi quando minha fisioterapeuta perguntou se eu conhecia a canoagem. Falei que não. Ela me explicou que era um esporte que estava começando a se desenvolver, que seria bom para a minha reabilitação, que ia me ajudar”, contou.

Segundo ele, a intenção nunca foi competir. Mas os resultados começaram a surgir e hoje falam sozinhos: tricampeonato mundial na prova de canoa (Moscou 2014, Milão 2015 e Duisburg 2016), bronze no caiaque também em 2016 e título mundial no caiaque em 2015.

Foi essa terceira colocação, em maio de 2015, na Alemanha, que garantiu Cardoso na Rio 2016. Para isso, precisou superar a concorrência de Fernando Fernandes, ex-participante do reality show Big Brother Brasil, tetracampeão mundial da modalidade e então um dos grandes favoritos para ficar com a vaga para representar o país nos Jogos.

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Luis Carlos Cardoso foi dançarino por nove anos e trabalhou com Frank Aguiar
Luis Carlos Cardoso foi dançarino por nove anos e trabalhou com Frank Aguiar

“Achei que era mentira, não queria acreditar”

A história de Cardoso antes da canoagem começa na cidade de Picos, no Piauí, onde nasceu, em 1984. Saiu de casa com apenas 16 anos, entre 2000 e 2001. Foi morar no Ceará e, em Fortaleza, em 2003, foi convidado a ir a São Paulo para ser dançarino em uma banda local.

“Passaram os anos e, em 2008, estava em uma banda de baile, quando uma dançarina me convidou para fazer um teste para o Frank Aguiar. O conheci, e ele disse que ia fazer o teste no palco. No mesmo dia do show, me contratou”, relembrou.

Com o cantor, viveu o sucesso de músicas como “Morango do Nordeste”, até que chegou dezembro de 2009, época concorrida de shows. Para ele, porém, a vida tinha outros planos.

“Sentia muita dores nas pernas. Fazia exames e não davam nada. Em dezembro, atacou de vez. A ponto de ter que deitar no chão de tanta dor.”

Cardoso ficou entre idas e vindas do hospital. Era internado e saía, sem nunca saber de fato o que tinha. “Achávamos que era o ciático”, conta. Em uma das internações, enfim, uma ressonância magnética encontrou o que lhe disseram ser “um ponto preto”. Era uma infecção em sua medula, causada por um parasita.

“Disseram que não tinha mais o que fazer, eu ia ficar paraplégico”, disse. “Fiquei louco. Minhas pernas eram meu instrumento de trabalho, era o que mais gostava de fazer. Só chorava, achei que era mentira, não queria acreditar.”

Ajuda do “paizão” Frank Aguiar

Cardoso não demorou a conhecer a canoagem. Foi em 2010 mesmo que ele disputou seu primeiro campeonato nacional, “para sentir o que era competição”, e acabou já conquistando medalhas. Não demorou, e ele se viu vivendo apenas da canoagem.

Para chegar a esse nível, contudo, contou com a ajuda de Frank Aguiar, um “paizão”, segundo ele. “Me ajudou demais, deu todo apoio quando saí do hospital. Foi ele quem me ajudou a dar um pontapé inicial, não só no esporte, mas nesta nova vida.”

A conclusão do ex-dançarino depois disso tudo? “Não há nada que você não possa fazer. A deficiência, às vezes, está na mente.”

Fonte: ESPN

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