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Cadeirantes reutilizam sondas e relatam casos de infecção

Posted by on fev 17, 2019

Cadeirantes reutilizam sondas e relatam casos de infecção após material não ser distribuído no AC — Foto: Ronaldo Oliveira/EPTV

Cadeirantes reutilizam sondas e relatam casos de infecção após material não ser distribuído no AC — Foto: Ronaldo Oliveira/EPTV

Deficientes físicos de Rio Branco alegam que estão há quase dois meses sem receber a sonda uretral e saco coletor para retirar a urina. Segundo a direção do Centro de Apoio à Pessoa com Deficiência Física do Acre (Capedac), alguns cadeirantes estão reutilizando o material.

A sonda e o saco são utilizados para coletar a urina no processo chamado de cateterismo uretral. A direção do Capedac diz que, desde janeiro, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) não entrega os kits.

Sesacre negou que o material esteja em falta. Segundo a assessoria de comunicação, a Sesacre repassa o material conforme o pedido da unidade de saúde, mas quando a unidade que entrega o kit fez o pedido ainda não tinha sido nomeado o gerente responsável. A Saúde garantiu que o material vai ser entregue na próxima semana.

“Desde do governo anterior que temos problemas, estavam sempre fazendo aquelas compras emergenciais de pouquinho, mas agora com o governo que entrou acabou no mês de janeiro. A gente da associação entrou em contato com a secretaria e o almoxarifado e, segundo eles, não tem nem previsão para a compra desse material”, contou o presidente do Capedac, Edivanio Silva.

Reutilização

Ainda segundo o presidente, reutilizar o material causa infecções urinárias nos cadeirantes. Porém, ele diz que a maioria dos deficientes não tem condições de comprar o kit e acaba optando pela reutilização.

“Então, reutiliza o material que é para ser descartável e com isso corremos o sério risco de pegar infecção urinária e bactérias. Ano passado faltou material e teve cadeirante que chegou a falecer por conta de bactérias da reutilização”, lamentou.

Silva afirmou que ainda possui material que pegou em dezembro do ano passado. De acordo com o presidente, cada cadeirante precisa de 120 sondas e 120 coletores por mês.

“Fui na Sesacre tentar uma reunião com o secretário, mas, infelizmente, a demora é incrível. Já mandei mensagem no Facebook e WhatsApp, mas não obtive retornou”, criticou.

Sonda improvisada

Emilson Silva de Farias, de 39 anos, é um dos cadeirantes que reutiliza o kit de cateterismo. Tetraplégico há quase dez anos, Farias precisou improvisar uma mangueira para utilizar como sonda.

“Estou reutilizando, passo dez dias com um. Já tem três cadeirantes, que eu conheço, com infecção. Estou tomando remédio caseiro para infecção, já para não pegar, mas minha urina está com o cheiro ruim”, frisou.

Fonte: G1

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