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Autor tetraplégico critica referência a ele em “Como Eu Era Antes de Você”

Posted by on set 7, 2016

Baseado no livro de mesmo nome de Jojo Moyes, o filme “Como Eu Era Antes de Você” estreou nos cinemas e trouxe uma referência para as telas: a citação de “Walking Papers”. Trata-se de uma autobiografia do autor tetraplégico Francesco Clark, e que, por sinal, não gostou de ter seu nome e obra usados no contexto do drama.

“Eu fiquei surpreso ao descobrir que, em uma cena importante do filme, o destaque é meu livro ‘Walking Papers’, que eu escrevi sobre minha experiência depois de ter sofrido uma lesão na medula espinhal, após um acidente de mergulho”, contou Clark ao site Page Six.

“Não me perguntaram se meu livro poderia ser incluído no livro, nem me avisaram sobre essa inclusão. Embora a história seja baseada em uma ficção, meu livro e minha vida não são”, continuou ele.

ALERTA: Este texto contém spoilers que revelam detalhes sobre a história de “Como Eu Era Antes de Você”. Se não quiser saber, pare a leitura.

O filme conta a história de Will Trainor (Sam Clafin), um homem rico, muito ativo e atlético. Depois de sofrer um acidente de moto, ele fica tetraplégico e passa a viver de forma amargurada. A vida dele muda quando a mãe contrata Louise (Emilia Clarke) para ser a cuidadora. A trama aborda, entre outras questões, a possibilidade do suicídio assistido. Grupos ativistas dizem que o filme passa uma mensagem equivocada de que é melhor morrer que viver em uma cadeira de rodas.

“Eu trabalhei incansavelmente para mostrar para todo mundo que ser tetraplégico não é o fim da vida de ninguém, é um novo começo”, disse o escritor ao site. “Não estou tomando um posicionamento contra o suicídio assistido, estou dizendo que fiquei revoltado por me associarem a uma história que diz que a única ou a melhor saída para pessoas como eu é a morte”.

Em entrevista ao UOL, Jojo Moyes disse que este é um assunto muito controverso e que entende que as pessoas tenham opinião forte sobre isso, mas que a história foi criada justamente a partir de um exercício de não fazer julgamentos sobre esse tipo de escolha. “Li nos jornais a história de um jovem atleta que decidiu pelo suicídio assistido depois de ficar tetraplégico. Para mim, foi muito chocante. Eu não conseguia entender por que ele tinha tomado a decisão e por que os pais haviam aceitado. Então, fiz o exercício de me colocar no lugar de cada um envolvido nessa história: o jovem, os pais, a pessoa tenta fazê-lo mudar de ideia”.

Clark disse que vai continuar espalhando uma mensagem de positividade e esperança para as pessoas que sofreram ferimentos como os seus ou que conhecem e amam alguém que sofreu. “Sou um perfeito exemplo de que a vida não só continua como se torna melhor a cada dia”.

Fonte: Do UOL, em São Paulo

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