Ser Lesado

Curiosidade e Informação sobre Lesão Medular

As redes sociais de indivíduos com tetraplegia: mudanças e permanências

Posted by on ago 16, 2018

Resumo:

O presente estudo visa analisar a composição e a recomposição das redes sociais de indivíduos tetraplégicos crônicos após lesão medular adquirida; mas também, mapear as tensões e os paradoxos que emergem da situação de completa dependência do auxílio de outras pessoas para garantir a sua sobrevivência. A pesquisa se inscreve no campo da investigação qualitativa.

Os participantes foram quatro pessoas com tetraplegia atendidas em uma Clínica Escola de Fisioterapia na cidade de Salvador-BA, e, o cuidador principal de cada uma delas, totalizando oito entrevistados. Foram incluídos no estudo portadores de tetraplegia secundária a traumatismo raquimedular e classificada como ASIA

 A; que tivessem pelo menos um ano de lesão; com idade superior a 18 anos; do sexo masculino; e, que tivessem sido acompanhados pela pesquisadora em algum momento da sua trajetória de reabilitação. Foram excluídos da pesquisa aqueles cuja lesão medular fosse de origem congênita, perinatal ou ainda adquirida na infância. No que tange aos cuidadores, os mesmos foram eleitos com base na análise da narrativa das pessoas com tetraplegia, através da identificação daqueles que assumissem a maior parcela das atividades e responsabilidades relativas ao seu cuidado.

A coleta foi orientada por uma postura etnográfica e os dados foram obtidos com base nas narrativas biográficas dos indivíduos selecionados e através de entrevistas guiadas por roteiros semiestruturados elaborados pelas pesquisadoras.

A análise das mudanças e permanências das redes sociais de apoio de tetraplégicos realizada nesse estudo mostrou ser um instrumento capaz de permitir uma melhor compreensão das dinâmicas de cuidado adotas em situação de alta dependência. Principalmente por ter possibilitado a contextualização dos eventos mais marcantes, em principal a tetraplegia, no decorrer da história de vida de cada um. Da mesma forma, evidenciou que a presença de uma rede social, mesmo que esvaziada e fragilizada, é determinante na adoção de estratégias positivas de enfrentamento da tetraplegia. O que não exclui a necessidade de buscar a elaboração de estratégias voltadas a ‘normalização’ dessas redes, que, pelo aumento do tamanho e da diversidade dos laços, poderiam proporcionar menor sobrecarga aos cuidadores e maiores possibilidades de participação social para as pessoas com tetraplegia. Para tal vê-se como indiscutível uma maior presença do Estado no suporte a essas famílias, e também a sensibilização da sociedade no sentido de acolher e não de repudiar a diversidade resultante da deficiência.

Artigo completo: http://ri.ucsal.br:8080/jspui/bitstream/123456730/206/1/FREITAS%20JV%202014.pdf

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