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Após cair de telhado e ficar paraplégico, homem conta que apoio de amigos foi fundamental na recuperação

Posted by on nov 21, 2018

Amigos de Airton Ferreira Gonçalves (de barba, na cadeira de rodas) fizeram vaquinha para ajudar no tratamento dele — Foto:  Airton Ferreira/Arquivo PessoalAmigos de Airton Ferreira Gonçalves (de barba, na cadeira de rodas) fizeram vaquinha para ajudar no tratamento dele — Foto:  Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Amigos de Airton Ferreira Gonçalves (de barba, na cadeira de rodas) fizeram vaquinha para ajudar no tratamento dele — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Aos 31 anos, o autônomo Airton Ferreira Gonçalves Neto viu sua vida mudar radicalmente. Ativo e praticante de esportes radicais, uma queda do telhado de casa o deixou paraplégico. O acidente foi no dia 7 de janeiro deste ano, em Macapá, um dia após o aniversário dele. Desde então, ele passou a viver em função de médicos e remédios. Um tratamento caro, mas que em meio ao drama mobilizou uma corrente de amigos.

Foram mais de 20 dias de internação na UTI do Hospital de Clínicas Alberto Lima. Ele fraturou a coluna, comprimiu a medula, rachou o crânio e teve quatro coágulos de sangue no cérebro, além de convulsões.

Sem o conhecimento de Airton, amigos, colegas e familiares fizeram uma vaquinha e conseguiram arrecadar mais de R$ 10 mil para cobrir parte das despesas médicas e ainda compraram uma cadeira de rodas, sob medida, no valor de R$ 3,5 mil. O equipamento foi entregue na semana passada, no trabalho dele.

A história de Airton é de uma pessoa comum que teve a vida limitada por uma fatalidade, mas também é de superação, de força da amizade e de recomeço, em busca da independência.

Ludmila foi uma das amigas que mobilizou outros amigos e quem conseguiu vaga no Sarah em Brasília — Foto: Airton Ferreira/Arquivo PessoalLudmila foi uma das amigas que mobilizou outros amigos e quem conseguiu vaga no Sarah em Brasília — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Ludmila foi uma das amigas que mobilizou outros amigos e quem conseguiu vaga no Sarah em Brasília — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

O acidente

Após passar um dia comemorativo de aniversário (6 de janeiro), no dia seguinte Airton subiu no telhado de casa para retirar folhas que se amontoavam na cobertura, quando algumas telhas quebraram e ele caiu de uma altura de quase dois metros. Os três meses que sucederam o dia 7 são páginas em branco na memória dele, Airton diz que não lembra de nada desse período. Ele apagou.

Sem os movimentos das pernas, começou uma maratona. Segundo Airton, os médicos dizem que a situação é reversível, mas não estimam tempo para a recuperação.

“Eles dizem que eu posso andar a qualquer momento, como posso ficar 20 anos para isso ocorrer”, contou. Quando eu voltei do coma eu não sentia dor nenhuma na coluna, mas as pernas não respondiam. Mas eu me sentia muito debilitado por ter ficado durante muito tempo deitado e não aguentava ficar sentado, cansava muito e sentia incômodo. Aí as dores foram aparecendo”, contou.

Airton passou dois meses em tratamento no Sarah Kubitschek de Brasília — Foto: Airton Ferreira/Arquivo PessoalAirton passou dois meses em tratamento no Sarah Kubitschek de Brasília — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Airton passou dois meses em tratamento no Sarah Kubitschek de Brasília — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Tratamento

O primeiro contato com a fisioterapia foi no Centro de Reabilitação doAmapá (Creap), mas os traumas físicos precisavam de assistência mais especializada. Vendo a situação, a amiga Ludmila Teixeira inscreveu Airton no Hospital Sarah Kubitschek de Brasília, onde passou por uma série de avaliações e reabilitações e retornou à Macapá em outubro.

Nesse tempo que ele passou fora do estado, Ludmila promoveu uma vaquinha entre amigos, que alcançou colegas de trabalho, gente que estudou com ele na juventude, familiares e amigos mais próximos. Ela conseguiu arrecadar mais de R$ 10 mil, usados no tratamento. A atitude comoveu o paciente.

“Sempre tive um círculo de amizade muito grande, mas não sabia que era nessa intensidade. Nunca vi uma mobilização tão grande para ajudar uma pessoa, sou muito grato”.

“Conheço Airton há mais de sete anos e todos sabem a pessoa bacana que ele é. Ajudar um amigo não é sacrifício, é dever e é amizade. Gente de muitos lugares ajudaram, porque a família dele não teria como arcar com o tratamento que ele precisa”, relatou Ludmila.

Com as dores e a dependência total das pessoas veio o abatimento. Não houve depressão, segundo Airton, mas os momentos de tristeza foram presentes.

“Fiquei muito triste em alguns momentos, mas não sofri de depressão, e isso foi uma grande vantagem para a minha recuperação. Eu era plenamente ativo, fazia muito esportes radicais, saltava de paraquedas, jogava basquete, fazia canoagem, e ficar nesse estado é duro. Ludmila foi meu anjo da guarda. Outra pessoa que me ajudou muito foi o Anderson Rodrigues, fisioterapeuta daqui de Macapá que tomou o meu caso para o TCC dele e me forneceu um tratamento de muita qualidade”, detalhou Airton.

Airton era esportistas e teve a vida limitada pelo acidente — Foto: Airton Ferreira/Arquivo PessoalAirton era esportistas e teve a vida limitada pelo acidente — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Airton era esportistas e teve a vida limitada pelo acidente — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Os amigos também conseguiram a doação de uma cadeira de rodas, que comportou Airton por cerca de quatro meses. Mas na semana passada, outra surpresa, com nova coleta, os parceiros adquiriram uma cadeira de rodas nova e sob medida. A entrega ocorreu no trabalho de Airton.

Sim, o tratamento vem dando resultado, ele já se habituou com a condição atual, já consegue sustentar o tronco e foi chamado para trabalhar no setor administrativo em uma das empresas para qual prestava consultoria, na área ambiental.

Airton mora sozinho desde os 18 anos, mas há quatro meses a mãe está com ele para ajudá-lo. Ele ainda precisa de ajuda no banho, para passar da cadeira para a cama (maca) e outras ações, mas Airton busca a total independência, para também poder cuidar dos três filhos, que moram com as mães.

“Quero voltar a vida o mais normal possível e, de fato, conseguir a minha independência. É um arcabouço de coisas a serem estruturadas. Preciso ter mais força nos braços e agora, que cheguei faz dois meses de volta para o estado e para a minha casa, terei que adaptar tudo. No Sarah eu aprendi que temos que ser fortes, porque não podemos nos vitimizar. É simples, coisas que eu fazia em pé, agora terei de fazer sentado”, falou.

Na semana passada os amigos presentearam Airton com uma cadeira de rodas nova. A surpresa foi no trabalho dele — Foto: Airton Ferreira/Arquivo PessoalNa semana passada os amigos presentearam Airton com uma cadeira de rodas nova. A surpresa foi no trabalho dele — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Na semana passada os amigos presentearam Airton com uma cadeira de rodas nova. A surpresa foi no trabalho dele — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Airton não descarta a possibilidade de voltar a treinar esporte. Ele quer iniciar com basquete para cadeirantes, com o qual teve contato em Brasília, e quem sabe voltar a saltar de paraquedas, “voltar a sentir o vento soprando no rosto”, diz.

Para quem passa por acidentes semelhante e pensa em desistir, ele deixa um recado.

“As pessoas não podem se deixar cair em depressão e muito menos se prender a pessoas que ainda tem um preconceito muito grande com deficientes. Estamos vivos e podemos sim voltar a fazer tudo o que fazíamos antes. Pode ser que tenham limitações, mas a gente tem que voltar à ativa. Os amigos que eu tenho são pessoas que eu sou imensamente grato, e quero seguir em frente, por mim, pelos meus filhos e pela minha família”, finalizou.

Canoagem é uma das paixões de Airton, e ele tem esperança de voltar a praticar esportes — Foto: Airton Ferreira/Arquivo PessoalCanoagem é uma das paixões de Airton, e ele tem esperança de voltar a praticar esportes — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Canoagem é uma das paixões de Airton, e ele tem esperança de voltar a praticar esportes — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Ele também praticava paraquedismo — Foto: Airton Ferreira/Arquivo PessoalEle também praticava paraquedismo — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Ele também praticava paraquedismo — Foto: Airton Ferreira/Arquivo Pessoal

Fonte: G1

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