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Aos 27 anos, aluno com lesão medular estuda História na Unesp de Franca

Posted by on mar 30, 2017

Pedro Justino Freitas de Paula, 27 anos, está no quarto ano do curso de História, período noturno, na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unesp de Franca. A vida dela mudou completamente aos 17 anos quando pulou de cabeça na parte rasa de uma piscina. “Quebrei a quinta vértebra cervical e fiquei com tetraplegia incompleta devido a uma lesão medular”, conta Pedro.

“Minha vida mudou completamente depois disso. Demorei bastante a me readaptar e seguir em frente. Uma das coisas mais difíceis era – e às vezes ainda é – o preconceito que outras pessoas tinham – e têm- em relação a deficientes físicos. Além disso, havia o preconceito que eu mesmo tinha em relação a mim. Tinha vergonha de minha situação e não me sentia bem em sair de casa”, diz.” Hoje em dia estou mais maduro e consigo encarar melhor a situação em que estou. Os desafios que enfrento continuam mais ou menos os mesmos de antes de entrar na Unesp. O que mudou foi minha maneira de encará-los”.

Sobre a escolha da carreira, Pedro conta que, em 2010, iniciou um curso de Desenho Industrial, onde teve aulas de História da Arte e Filosofia da Arte. Em alguns meses, se desinteressou e passou a se interessar por Filosofia. Largou Desenho Industrial e fez dois anos de um curso de Filosofia não reconhecido pelo MEC. “Queria fazer filosofia em uma universidade pública, mas, por conta da deficiência, seria bastante complicado, pois teria que mudar de cidade”, comenta.

O curso que havia na universidade pública de Franca, a Unesp, mais próximo de Filosofia era o de História. Por isso, iniciou o curso. “Com o passar do tempo fui me interessando cada vez mais por história, disciplina que eu não gostava durante meu Ensino Médio. Acho o curso de História da Unesp de Franca bastante bom. A maioria dos professores é empenhada e leva seu trabalho a sério” avalia.

Atualmente, Pedro está iniciando uma pesquisa sobre liberalismo no Brasil Império. “Ainda não delimitei o tema e não escolhi uma fonte de pesquisa”, diz. “No momento desejo ser professor em escola de ensino básico, mas não descarto a possibilidade de fazer uma pós-graduação e seguir carreira acadêmica”.

Em relação à inclusão dos deficientes físicos, acredita que o principal problema está no preconceito e repulsa social. “Penso que a raiz deste problema está na percepção de que deficiente é apenas deficiência. Toda singularidade e contrariedade do sujeito deficiente deixa de existir na visão do preconceituoso, que enxerga apenas o defeito.

Em decorrência disso, costuma haver uma visão idealizada em relação ao deficiente. Ou este é visto como um herói (alguém que supera desafios) ou como uma vítima (um coitado). Não é visto como alguém “normal”, com vícios e virtudes, com desejo, raiva, preguiça e etc.”, comenta.

“Acho que o melhor modo de enfrentar isso é mostrando que somos sujeitos autônomos, com capacidade de pensar e falar por conta própria. Muito do preconceito decorre por falta de contato com deficientes. Quanto mais ocuparmos nossos espaços e quanto mais as pessoas conhecerem nossas histórias, maior será a possibilidade desse preconceito diminuir”, conclui.

Fonte: Jornal da Franca

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