Ser Lesado

Curiosidade e Informação sobre Lesão Medular

‘Agora me olho sem preconceito’, diz paraplégica após ensaio fotográfico

Posted by on jan 31, 2019

Aline Bustamante fez ensaio fotográfico para superar inseguranças (Foto: Jouvani Reis )Aline Bustamante diz que fez o ensaio fotográfico para superar a insegurança  (Foto: Jouvani Reis/Arquivo )

Após um acidente de carro, Aline Bustamante, de 31 anos, ficou paraplégica. Após dois anos usando roupas para esconder o corpo, um fotógrafo de São José dos Campos, no interior de São Paulo, a presenteou com um ensaio fotográfico para mostrar sua beleza e ajudar a auxiliar adminitrativo a vencer preconceito que tinha por conta de sua condição. A cadeira de rodas foi usada para compor as fotos do ensaio.

Aline contou que quando sofreu a lesão na medula e soube que que não iria mais voltar a andar, decidiu não se abater, mas confessou que apesar da decisão, passou a sentir vergonha do próprio corpo.

“Antes eu malhava, corria, dançava e agora minhas pernas ficaram finas, perdi musculatura e tinha muita vergonha disso. Sou muito festeira, mas já deixei de sair porque sabia que pessoas iam ficar olhando para mim ou porque teria que usar uma roupa mais curta”, relembrou Aline.

As pessoas ainda têm um olhar diferente para o cadeirante, acham que eles não namoram, não casam”
Aline Bustamante, auxiliar administrativa

A confiança voltou quando o fotógrafo Jouvani Reis resolveu presentea-la com uma sessão de fotos.

“Ele disse que eu precisava mostrar que não é a deficiência que faz uma pessoa. Que o amor, alegria e carisma que me representavam. Fiquei uma semana pensando na proposta dele porque tinha vergonha por causa das minhas pernas”, relembrou.

Com incentivo do fotografo, dos amigos e familiares ela resolveu aceitar o presente. Este foi o primeiro ensaio do fotógrafo com uma pessoa com deficiência.  “Eu fiquei um pouco receoso dela não gostar do convite, ela até demorou um pouco para responder. Mas depois disse que sempre quis fazer um ensaio e topou”, afirmou Jouvani.

Ele disse que a experiência foi única e que ele pretende fazer outros trabalhos para aumentar a auto-estima de pessoas com alguma deficiência. “Foi único esse ensaio, muito emocionante. Muita gente tem problemas e fala ‘eu sou feia’, ‘eu não posso fazer isso porque não fica legal’. A ideia é superar tudo isso, todo mundo pode fazer”, completou o fotógrafo.

Este também foi o primeiro ensaio fotográfico de Aline e ela optou por usar a cadeira de rodas na maioria das fotos. “A cadeira é a perna que eu tenho agora. Me senti livre, quebrando um tabu de que a gente não pode se mostrar ou que é feio fazermos fotos. As pessoas têm ainda um olhar diferente pro cadeirante, acham que eles não namoram, não casam. Agora me olho sem preconceito”, afirmou.

Aline quer mostrar com as fotos a beleza de pessoas com deficiências (Foto: Jouvani Reis)Aline quer mostrar com as fotos a beleza de
pessoas com deficiências (Foto: Jouvani Reis)

Campanha
Com o resultado e a autoestima renovada, Aline quer montar uma campanha nas redes sociais para incentivar outras pessoas com deficiências a se aceitarem do jeito que são.

“Não falo só de fazer foto, mas de se olhar diferente, independente da deficiência. O próprio cadeirante pensa ‘vão me olhar’. O que tem que olhar é que o deficiente tem seu carisma, sua alegria de viver. Eles acabam se intimidando por vergonha. Vamos fazer o que quisermos sem pensar no que os outros vão pensar”, afirma.

Ela garante que com esse pensamento vive muito mais feliz. “Todo mundo pode ousar, ter seu lado sensual. Hoje em dia não tenho mais problema. Agora eu vejo que roupa é o que menos importa, desde que não seja usada para se esconder”, completou.

Fonte: G1

Deixe uma resposta

468 ad