Ser Lesado

Curiosidade e Informação sobre Lesão Medular

Estudante de Itajubá levanta questão da sexualidade em pessoas com lesão medular

Posted by on jan 16, 2017

Elaine Barbosa, na época ainda universitária, procurou a redação da revista It’s para divulgar o tema de seu trabalho de conclusão de curso: Significados, sentimentos e a percepção da sexualidade na pessoa com lesão medular. Sensibilizada pela determinação da profissional de enfermagem (hoje já formada) em defender e divulgar um assunto tão importante, a direção da revista It’s agradece a sugestão de pauta que merece atenção e conscientização popular. “Quando falamos de sexualidade, existe um vasto significado, pois estamos falando do beijar, do tocar, do estar junto, de ter uma pessoa com quem contar, visto que isso faz parte do processo de reabilitação e está diretamente ligada à qualidade de vida da pessoa com lesão medular. Diante disso, decidi fazer o trabalho de conclusão de curso sobre o assunto para informar não só os pacientes como também seus familiares e a população”, conta Elaine sobre a decisão de estudar o tema.

A fisioterapeuta do Centro de Desenvolvimento e Transferência de Tecnologia Assistiva (CDTTA) de Santa Rita do Sapucaí, Cláudia Garcez, afirma que, por trás desta questão, existem alguns mitos que devem ser extintos: “ O grande problema é achar que a pessoa não é mais capaz de nada, que ela perdeu toda a capacidade de vida, de atuação e de pensamento próprio. Infelizmente, essa falsa ideia ainda é frequente”.A Fisioterapeuta Cláudia com o Casal Marcia Bueno e Joäo Pereira

Cláudia explica que, mesmo nos casos de paraplegia ou tetraplegia, a pessoa ainda pode ter uma vida sexual ativa: “Para ter uma vida sexual ativa, basta que se encontre alguém que ame a pessoa como ela é, na sua realidade. As mulheres, por exemplo, podem engravidar a qualquer momento. E os homens, com medicação e adaptações, caso sejam necessárias, também podem ter uma vida sexual ativa.”

O preconceito e os padrões de normalidade impostos pela sociedade são ainda um grande desafio a superar. “O problema é que as pessoas têm modelos prontos uma das outras, não conseguem olhar ‘o diferente’ e ver que essa outra pessoa, mesmo com a deficiência, pensa e faz tudo como qualquer outra pessoa”, defende Cláudia.

Diante de tantos desafios próprios do assunto em pauta, Cláudia e Elaine destacam o que já seria um grande passo para a conscientização: “O mais importante de tudo isso é o olhar de respeito que precisamos ter pelo próximo”.

Em entrevista a It`s Itajubá, Elaine Barbosa esclarece algumas questões:

It`s: Como chegou a esse tema como trabalho de conclusão de curso? Fale um pouco sobre o tema.

Elaine: No período de faculdade em estágio no inatel na cidade de santa Rita do Sapucaí, conheci o Centro de Desenvolvimento e Transferência de Tecnologia Assistiva (CDTTA) onde pessoas com paraplegia e tetraplegia eram atendidas diariamente para sessões de fisioterapia com a fisioterapeuta Claudia Garcez.

Em um determinado dia uma paciente do sexo feminino que estava noiva há dois anos, disse que seu casamento aconteceria naquela semana e ela não sabia como seria sua vida sexual, pois ficou paraplégica em um acidente automobilístico. Ao me abordar pediu orientações,perguntando: Será que vou poder gerar filhos? como será minha vida depois do matrimonio?

It`s: Quais foram suas principais conclusões?

Elaine: Considerando o aumento significativo dos casos de lesões medulares, esse estudo evidenciou a necessidade de mais pesquisas referentes a essa temática, focando a percepção, o sentimento da pessoa com lesão medular. A sexualidade como parte integrante da dimensão social e humana deve ser considerada em todos os aspectos do cuidar. Como disse João Carlos Pecci (irmão do cantor e compositor Toquinho): “E O SEXO COMO FICA? NÃO FICA, ELE CONTINUA”.

It`s: Em sua opinião como a sociedade vê a sexualidade das pessoas com lesão medular?

Elaine: Com relação aos mitos e preconceitos relacionados à sexualidade da pessoa com lesão medular, destaca-se uma pesquisa que demonstra que o modo preconceituoso que a sociedade lida com a sexualidade de pessoas com deficiência está relacionada aos padrões definidores de normalidade. Esses padrões estabelecidos colocam em desvantagem aqueles que são diferentes, de forma que, os deficientes são ignorados, não somente nas questões afetivas e sexuais, mas também nos aspectos econômicos e trabalhistas.

Esse estudo salienta que, mais importante do que identificar os mitos e preconceitos, deve-se esclarecer e refletir sobre essas questões considerando a subjetividade, a partir de uma releitura social e cultural da deficiência e da sexualidade. Pois é preciso olhar além da lesão onde se encontra um ser humano e este ser humano tem sentimento, autoestima e sexualidade. (MAIA; RIBEIRO, 2010).

It`s: Ainda é preciso muita conscientização sobre o assunto? Por quê?

Elaine: Sim, pois há necessidade da inserção social dos que apresentam deficiências, pois são tratados como incapazes e diferentes, e eles são pessoas como nós que tem sentimentos querem ter uma pessoa com quem dividir suas vidas casar ter filhos ser feliz sem preconceito, visto que estudos nos trazem que a sexualidade é parte inerente do processo de reabilitação.

Também é uma forma de mostrar com este estudo que a pessoa se encontra sim num corpo que esta inscrito sentido e marcado pela lesão medular, porem apesar de todas as complicações que a lesão medular traz para vida desta pessoa ela não perde sua sexualidade sua subjetividade seus sentimentos.

Com base em tudo que foi dito evidencia-se a necessidade de formação de profissionais de Enfermagem e outras áreas da saúde voltados para o cuidado e orientação com relação à sexualidade particularmente após a lesão medular.

Fonte: It’s Itajuba

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